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Empreendedorismo e elasMulheres que transbordam nos negócios e na vida.

Editoriais

Mãe

maio 2026

O lugar invisível que molda a mulher que você se tornou!

A maternidade, no olhar sistêmico, vai muito além de um papel exercido na infância. Ela é uma raiz invisível que sustenta, fragiliza, a forma como uma mulher se posiciona na vida adulta, nos relacionamentos e até na sua prosperidade. Falar de mãe é, inevitavelmente, falar da origem da vida e do primeiro experimento de pertencimento.

Dentro das Constelações Sistêmicas, compreendemos que a mãe representa o portal da vida. É por meio dela que chegamos ao mundo. Independentemente da qualidade da relação, da presença ou ausência, do amor ou das dores, existe um fato que não pode ser alterado: foi ela quem nos deu a vida. E no campo sistêmico, aceitar a vida como ela veio é o primeiro passo para que ela possa fluir com mais leveza.

Quando essa relação com a mãe está em desordem, seja por rejeição, mágoa, julgamento ou afastamento, algo dentro da mulher também se fragmenta. Isso porque, inconscientemente, o rejeitar a mãe, a mulher rejeita a própria origem. E quem rejeita a própria origem tende a viver com dificuldade de se sustentar emocionalmente, de receber, prosperar e até de se reconhecer no seu valor.

A forma como enxergamos o feminino também nasce dessa primeira referência. A mãe é o primeiro modelo de mulher que conhecemos. Se ela foi uma mulher sobrecarregada, ausente, crítica ou emocionalmente indisponível, é comum que a filha cresça com uma percepção distorcida do que é ser mulher. Muitas vezes, essa mulher adulta passa a viver em conflito com o próprio feminino, ora rejeitando, ora tentando compensar aquilo que faltou. Esse movimento aparece de formas sutis no dia a dia. Mulheres que têm dificuldade de confiar em outras mulheres, que competem em ambientes femininos ou que não conseguem receber apoio, muitas vezes estão, na verdade, repetindo padrões não resolvidos com a mãe. O que não é olhado na origem se manifesta nas relações atuais.

Outro ponto essencial é o equilíbrio. A mãe dá a vida, e isso não pode ser compensado. Não existe troca possível nesse nível. O único movimento saudável é receber essa vida como ela veio e seguir adiante, fazendo algo de bom com ela. Quando a mulher aceita isso, ela sai de uma postura de cobrança e entra em um lugar de força.

Curar a relação com a mãe não significa concordar com tudo o que aconteceu, mas sim reconhecer: “foi assim, e ainda assim, eu recebo a vida”. Esse movimento interno, muitas vezes silencioso, é profundamente transformador. Ele libera a mulher para viver com mais leveza, autonomia emocional e abertura para o feminino.

Na vida adulta, isso se reflete diretamente. Uma mulher conectada com a mãe, no sentido sistêmico de aceitação, tende a confiar mais na vida e se sentir mais segura nas relações e ao ocupar seu lugar com mais firmeza. Ela deixa de buscar no mundo aquilo que só poderia ter vindo da mãe e passa a construir relações mais equilibradas.

A maternidade, portanto, não termina na infância. Ela continua viva dentro de cada mulher, influenciando suas escolhas, seus vínculos e sua forma de existir no mundo. Olhar para essa raiz não é voltar ao passado, mas reorganizar o presente.

Porque, no fim, toda mulher que faz as pazes com a mãe faz, também, as pazes consigo mesma e com o seu feminino. Decidi este texto à minha mãe, Marlene, que me deu a vida e, dentro das suas possibilidades e consciência, fez o melhor que pôde. Eu recebo tudo como veio e sigo em frente, honrando a força que vem de você. Te honro e te amo, mãe!

Se essa leitura fez sentido para você, compartilho diariamente reflexões como essa, unindo constelação sistêmica, feminino e empreendedorismo. Você pode me acompanhar pelo Instagram.

Este texto foi originalmente publicado na Revista Persona

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