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Empreendedorismo e elasMulheres que transbordam nos negócios e na vida.

Editoriais

Amor que sustenta, legado que floresce

maio 2026

A maternidade, para Michélle Millani, mais conhecida como Michi dos Óleos, não se apresenta como um capítulo à parte, mas como o eixo que reorganiza tudo ao redor. Foi nesse território, entre a vulnerabilidade e a força, que ela se reconstruiu. Mãe de Maria Eduarda, a Dudinha, de 9 anos, e de Bernardo, de 7, Michelle atravessou experiências intensas desde a chegada da filha mais velha, marcada por uma delicada luta pela vida, até uma vivência mais serena, ainda que igualmente transformadora, com o caçula. Entre esses dois caminhos, encontrou diferentes formas de maternar e uma compreensão mais profunda sobre permanência, presença e amor. É dessa travessia que nasce também o olhar que sustenta o movimento Empreendedorismo e Elas, uma iniciativa que vai além dos negócios e propõe redes de apoio e continuidade, conectando o que se constrói em casa com o que se projeta no mundo.

O que a maternidade representa na sua vida?
Ser mãe não foi apenas um sonho realizado. Foi o lugar onde eu me reconstruí. Antes, eu não sabia o que era amar sem medida, nem colocar a vida de alguém acima da minha sem pensar duas vezes. Foi ali, no meio da dor, que entendi: existe um amor que não negocia, não desiste, não recua, o amor de mãe.

Como a chegada da sua filha transformou a sua visão de vida?
Minha filha, Maria Eduarda, a Dudinha, como ela gosta de ser chamada, me ensinou, da forma mais profunda, sobre a vida e seus valores. Ela nasceu com 530 gramas e lutou para permanecer viva. Ainda na gestação, recebi a notícia de um problema grave no coração. Naquele momento, tudo mudou: planos, expectativas e desejos ficaram em segundo plano. O foco passou a ser a vida dela. E, nesse processo, nasceu em mim uma força que eu não conhecia, mas que vinha desse amor incondicional.

Como você atravessou esse período de incertezas e luta pela vida da sua filha?
Foram cinco meses e vinte dias de medo, hospital, UTI e incertezas. Ela passou por diversas cirurgias, e muitas vezes ouvi que não sobreviveria. A cada procedimento, eu precisava assinar documentos, e, mesmo diante disso, escolhia acreditar na vida dela. Foram dias em que precisei ser forte sem saber como. Aprendi a cuidar, a insistir e, acima de tudo, a permanecer. Mesmo quando tudo parecia contrário, eu escolhi ficar. Foi ali que entendi que o amor de mãe permanece, independentemente das circunstâncias.

E com o Bernardo, o que a maternidade te revelou de diferente?
Com o Bernardo, meu filho de 7 anos, vivi outro lado da maternidade. Se com a Dudinha aprendi a lutar, com ele aprendi a sentir com mais leveza. Mesmo com alguns desafios no nascimento, dessa vez eu não estava sozinha. Havia um parceiro ao meu lado, e isso mudou o peso da caminhada. Com ele, pude viver o colo, o silêncio das madrugadas e uma presença mais tranquila, sem estar em alerta o tempo todo.

O que seus dois filhos representam na sua trajetória como mãe?
São duas histórias que me transformaram. Hoje, não busco ser uma mãe perfeita. Sou a mãe que consigo ser para cada um deles, respeitando quem são. Presente quando estou, inteira quando abraço, disponível quando precisam. No fim, filho não precisa de perfeição, precisa de amor. E o amor de mãe é sobre permanecer, mesmo quando é difícil.

De que forma a maternidade influencia o que você constrói hoje?
Tudo o que construo hoje vai além de mim. O movimento Empreendedorismo e Elas não é só sobre negócios, é sobre criar caminhos de apoio, conexão e continuidade. Um lugar onde o que plantamos hoje possa florescer amanhã. Quero que meus filhos encontrem isso no futuro e sintam que há ali uma parte de mim, não para protegê-los de tudo, mas para lembrá-los de quem são.

Neste Dia das Mães, qual é a sua mensagem sobre essa herança afetiva?
Só posso ser essa mãe porque, antes de mim, vieram outras mulheres que fizeram o melhor que puderam. Honro todas elas e, especialmente, a minha mãe, Marlene. Ela me deu o que podia, e foi suficiente. O amor que recebi é o que hoje consigo oferecer aos meus filhos. Gratidão, mãe, eu honro você.+

Este texto foi originalmente publicado na Revista Persona

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