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Quando foi a última vez que você viveu um momento que quis guardar só para si?

maio 2026

Vivemos em uma geração que registra tudo.

Fotografamos o prato antes de comer.

Gravamos o pôr do sol antes de contemplá-lo.

Filmamos o abraço antes de senti-lo por inteiro.

Parece que cada momento precisa ser publicado, compartilhado, validado. Mas existem momentos que não pedem plateia.

Momentos tão preciosos que a única vontade que sentimos é guardá-los em silêncio, como se o coração criasse uma pequena caixinha invisível para proteger aquilo que não precisa ser visto por ninguém além de nós.

Talvez seja um abraço longo depois de um dia difícil, uma conversa profunda que acontece tarde da noite, um olhar que diz mais do que mil palavras ou aquele instante em que você percebe que está exatamente onde deveria estar.

Eles não nasceram para virar conteúdo. Nasceram para virar presença. E aqui entra algo muito profundo que poucas pessoas refletem: o valor do silêncio.

Existe um ensinamento espiritual antigo que fala sobre os 12 graus do silêncio. Ele descreve o silêncio como um caminho que começa no exterior e vai se aprofundando dentro de nós.

Primeiro silenciamos as palavras.

Depois, os movimentos.

Depois, a imaginação.

Depois, as memórias.

Até chegar ao silêncio do coração, da vontade e, finalmente, ao silêncio mais profundo: o silêncio diante de Deus.

Esse caminho nos mostra algo muito importante: o silêncio verdadeiro não é apenas ausência de barulho.

Ele é um estado de presença. Somente quando conseguimos sustentar o silêncio em profundidade é que conseguimos nos conectar com o que há de mais incrível na nossa vida.

Porque, no silêncio, escutamos o que o barulho do mundo não deixa ouvir.

Escutamos a nossa verdade.

Escutamos o que realmente sentimos.

Escutamos aquilo que a alma tenta nos dizer há muito tempo.

Talvez por isso alguns dos momentos mais preciosos da vida aconteçam em silêncio.

Sem celular.

Sem plateia.

Apenas na presença.

E aqui fica um convite, pois talvez a maturidade emocional também passe por isso: aprender que nem tudo precisa ser exposto para ter valor.

Alguns momentos são tão sagrados que pertencem apenas à memória.

Eles simplesmente vivem dentro de nós.

Por isso, deixo uma reflexão para você, querido leitor…

Quando foi a última vez que você viveu um momento tão precioso que preferiu guardá-lo apenas no silêncio da sua memória?

Porque alguns instantes não foram feitos para o mundo ver.

Foram feitos para a alma guardar.

Mas talvez isso seja um assunto para nossa próxima conversa.

Este texto foi originalmente publicado na Revista Persona

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